10. CULTURA 1.5.13

1. MSICA - A LEGIO RESISTE
2. TELEVISO - OS FUROS DE "SALVE JORGE"
3. LIVROS - OS CAPRICHOS DE NAPOLEO
4. EM CARTAZ  PERA - UMA REVOLUO MUSICAL
5. EM CARTAZ  LIVROS - PAVOR NOS BASTIDORES
6. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - FUTEBOL DE NORTE A SUL
7. EM CARTAZ  MSICA - A JUKEBOX DE ERIC CLAPTON
8. EM CARTAZ  CINEMA - O VILO  O MEDICAMENTO
9. EM CARTAZ  AGENDA - VANESSA DA MATA/IN-EDIT/ABRAHAM PALATNIK
10. ARTES VISUAIS - BRASIL NA BAHIA
11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - VOC EST NA LISTA?

1. MSICA - A LEGIO RESISTE
Filmes sobre a vida e a obra de Renato Russo mostram que sua antiga banda continua falando  nova gerao em um pas que ainda convive com a corrupo e a violncia
Mariana Brugger

PORTA-VOZ - Renato Russo traduziu a angstia de uma gerao oprimida pela ditadura militar
 
O Brasil de hoje no  o mesmo que viu surgir a banda Legio Urbana. Ainda assim, as msicas compostas pelo seu lder, Renato Russo, morto h 17 anos, continuam falando aos seus fs cinquentes  e tambm aos seus filhos. Isso seria motivo de elogio, mas esconde uma verdade desagradvel: a Legio Urbana, que vende anualmente 200 mil discos, ecoa no pblico atual porque a corrupo, a violncia e uma de suas facetas, o narcotrfico, ainda esto presentes na realidade brasileira. Isso explica, por exemplo, por que o diretor Ren Sampaio escolheu levar para as telas a cano Faroeste Caboclo no filme homnimo, que estreia dia 30. A histria de Joo do Santo Cristo (Fabrcio Boliveira), que sai da Bahia e vai tentar a vida em Braslia, entrando no submundo das drogas, passa-se nos anos 1970. Mas fala ao Brasil atual, onde essa mazela  cada vez mais presente.

Essa msica foi composta por Russo antes da criao de sua banda, perodo mostrado no filme Somos To Jovens (estreia na sexta-feira 3). A produo, assinada por Antonio Carlos Fontoura, trata da juventude do roqueiro (Thiago Mendona) at o surgimento da Legio. A proposta no  reforar o mito, mas descobrir na trajetria do garoto uma experincia que dialogue com a juventude de hoje  e aqui entra o outro lado da banda que no envelhece, ao retratar as angstias adolescentes. Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, atribui esse interesse aos temas universais e atemporais das canes. Ele se refere s composies Ser e Ainda  Cedo. Bigrafo de Russo, o jornalista Arthur Dapieve prefere a produo mais social, que serviu de inspirao para Faroeste Caboclo: Versos como nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado ainda so atuais. Produtor da maioria dos discos da banda, Mayrton Bahia acredita que a Legio se mantm viva porque sua lacuna  difcil de ser preenchida: Vivemos uma crise de identidade, coisa que a Legio tinha de sobra.


2. TELEVISO - OS FUROS DE "SALVE JORGE"
Novela do horrio nobre da Rede Globo acumula uma srie de erros de roteiro que irritam at os atores, mas, mesmo, assim melhora o Ibope
Michel Alecrim


A novela Salve Jorge galopa no Ibope, mas tropea no roteiro. Acontece com ela, nessa aparente contradio, a velha histria do falem mal, mas falem de mim. Tanto se comentam as falhas de roteiro e continuidade, que at quem no assistia  novela agora quer v-la. Em So Paulo, a mdia de Ibope bate 40,5 pontos, e isso  sinal de que muita gente curte o fato de o santo guerreiro parecer viver no mundo da lua. Ainda  motivo de piadas entre os telespectadores, para citar um episdio de repercusso, a sequncia em que Morena (Nanda Costa) reencontra o namorado Tho (Rodrigo Lombradi): o reatamento se deu em uma igreja, e de madrugada  absurdo total, sabendo-se que igrejas no ficam abertas nesse horrio.

CAPTULO DE 2 DE ABRIL - Erro Morena reencontra Tho em uma igreja de madrugada. Desde quando elas ficam abertas 24 horas?
 
Mas no  apenas a implausibilidade que incomoda: uma regra bsica para a construo de enredos  a continuidade  se uma pessoa sai de casa de roupa azul, ela no pode aparecer na rua, em seguida, usando trajes vermelhos. Em Salve Jorge, tal princpio  ignorado. Quem sofreu esse constrangimento foi Cleo Pires (Bianca). Durante um passeio com o guia turstico Zyah (Domingos Montagnier), ela apareceu sem esmalte nas unhas. Minutos depois, elas estavam vermelhas.
 
O mesmo se repete com os cabelos das mulheres: uma hora esto crespos, um pouco depois esto lisos. A mgica aconteceu com Nanda Costa, Claudia Raia e Vera Fischer, que no engoliu a irritao: Se fosse em outra poca eu daria um chilique.A recorrncia de falhas tcnicas levou o crtico Nilson Xavier a qualificar Salve Jorge como uma novela dos sete erros. H outras derrapagens no enredo, como personagens que desaparecem sem explicao ou que mudam de conduta sem razo aparente. Eis uma pergunta diria de quem acompanha a histria: onde foi parar o malandro Miro, vivido por Andr Gonalves?

Habituada a rebater crticas com a mesma imaginao com que cria tramas, a autora Glria Perez cobra fantasia do pblico: Pobre de quem no consegue voar, disse no Twitter. Tambm no caso de voos, no entanto, a novela peca. O uso de um jatinho levando Morena  Turquia para ser vendida por US$ 12 mil no convenceu: segundo a empresa de txi areo 8xAviation, os viles pagariam, no mnimo, US$ 300 mil pelo aluguel.


3. LIVROS - OS CAPRICHOS DE NAPOLEO
Livro mostra que o imperador francs andava com muitas amantes, mas no dava importncia ao ato sexual. Fazia questo de frequentar teatros e dormia nos camarotes
Ivan Claudio

Workaholic muito antes do surgimento da palavra, o imperador francs Napoleo Bonaparte (1769-1821) costumava trabalhar 18 horas por dia. E se gabava da eficiente administrao que fazia do tempo, prerrogativa para conseguir centralizar o poder e todas as esferas da sociedade civil  das leis que governam a vida pblica  moda nos sales parisienses. No  preciso mais de 15 minutos para se fazer uma refeio, repetia aos generais. Isso lhe permitiu, por exemplo, comparecer a 57 das 109 reunies de aprovao do cdigo napolenico, legislao que regulava o direito. Mas ele no reinaria to bem sem assessores caninos e caprichos diversos  e so essas idiossincrasias que do sabor s pginas de A Era de Napoleo (Objetiva), do historiador ingls Alistair Horne, que busca fazer diferena na bibliografia de mais de 600 mil livros sobre o imperador, a maioria voltada para o seu talento militar.

AUTORITRIO - Napoleo em tela de Paul Delaroche: um reizinho mimado e birrento que dava ordens inesperadas e absurdas
 
Apesar do estilo espartano do retratado,  o campo do prazer que se destaca  ou do desprazer, em alguns casos, to afoito ele era. Napoleo s gostava, por exemplo, das relaes sexuais apressadas  tratava o sexo como uma simples troca de suores. Famoso por sua infidelidade mediterrnea, pelo menos uma vez ele ultrapassou o limite de tempo.
 
A longa noite de amor se deu com a atriz Marguerite George, uma das mais famosas vedetes da cena teatral parisiense. Napoleo foi v-la trs vezes atuando numa pea de Pierre Corneille na Comdie Franaise. Na ltima noite, chegou atrasado, gritou do camarote comecem tudo de novo e, ao final, levou-a para os aposentos imperiais. A noite foi to animada que ele desmaiou durante o ato sexual, sendo flagrado por sua mulher, Josefina, que o reanimoue o expulsou do quarto.
 
Como a traio caiu na boca do povo, no se sabe. Mas toda vez que a atriz dizia a fala da pea Cinna (Se conseguir seduzir Cinna, poderei seduzir muitos outros) a plateia procurava com os olhos e aos risos o imperador no camarote real. No raro, Napoleo se fazia acompanhar de soberanos ou escritores estrangeiros (Wolfgang Goethe, por exemplo) e estufava o peito ao defender os autores nacionais. Ele detestava comdias, no permitia tramas bblicas em cena (quem deve fazer isso  a Igreja) e como espectador era frequentemente flagrado cochilando. Alm de ordenar o recomeo de espetculos j iniciados, proibia peas de que no gostava, alterava dilogos e pedia a troca da obra que estava sendo encenada.

REINO DE TRAIES - Napoleo desmaiou ao fazer sexo com a atriz Marguerite George (acima). A infidelidade foi vista por sua mulher, Josefina, tambm adltera. Os dois acabaram se divorciando (abaixo)

Embora prdigo em frases empoladas, era dado a chiliques: Fui informado de que Paris deixou de ser iluminada. Os responsveis por isso so uns canalhas, escreveu em uma carta durante a campanha da Prssia. Esse estilo irascvel presidia todas as decises, mesmo no campo da moda, quando atacava o uso de transparncias pelas mulheres da corte  exigia que se mirassem na discrio de sua mulher, Josefina, que privilegiava os pesados tecidos de fabricao francesa.

ESTRANHO GUARDA-ROUPA - Considerada pelo imperador como modelo de bem trajar, Josefina tinha 896 vestidos e apenas duas calcinhas

O vesturio da imperatriz contava com 666 vestidos de inverno, 230 de vero e apenas duas calcinhas. A propsito, lamentando a separao de Josefina, aps mtuas traies, Napoleo afirmou: Ela tinha a... mais lindinha que se possa imaginar. Teria dito isso ao seu companheiro de cela na ilha de Santa Helena, o general Bertrand. O livro resgata outro homem de confiana, no pelo manuseio das armas, mas pelo furto de peas de arte e arqueologia: o ex-diplomata italiano Vivant Denon, conhecido como o olho da armada. Desde a expedio ao Egito ele acompanhou Napoleo em suas batalhas e se especializou em pilhar acervos artsticos para decorar o Museu Napoleo (futuro Louvre). Da Itlia veio, num carro de bois, as Bodas de Can, de Veronese; da Blgica, os Rubens e Van Eyck. Em um dia de inverno, visitando o museu, Napoleo irritou-se com os aquecedores que soltavam fumaa abundante. E berrou: Tirem-nos de l, acabaro incendiando minhas conquistas.


4. EM CARTAZ  PERA - UMA REVOLUO MUSICAL
por Ivan Claudio e Aina Pinto

As ambies opersticas do roqueiro ingls Roger Waters, baixista do Pink Floyd, alcanaram resultados satisfatrios no espetculo The Wall. Faltava comprovar o talento no campo especificamente erudito e ele o faz na pera a Ira  H Esperana (Theatro Municipal, So Paulo, dias 2, 4, 7 e 9 deste ms). Com libreto centrado nos episdios da Revoluo Francesa, o espetculo discute as ideias em jogo naquele momento da Frana e traz um dueto indito entre os personagens Maria Antonieta e Lus XVI, criado especialmente para a montagem brasileira. A verso nacional tem direo cnica de Andr Heller-Lopes e figurinos de Rosa Magalhes. A regncia ficou a cargo de Rick Wentworth, parceiro de Waters h mais de 30 anos e responsvel pela orquestrao das trilhas sonoras dos filmes de Tim Burton.
 
+5 peras de msicos pop
Tommy (foto)
 Assinada pelo The Who, narra a histria de um garoto que no pode contar o que viu e ouviu na noite de um crime
 
Prima Donna
 Rufus Wainwright  o autor dessa pera em dois atos sobre uma cantora lrica que se apaixona por um jornalista
 
Porgy and Bess
 Traz o clssico Summertime entre as rias mais famosas. O autor  o compositor George Gershwin
 
Jesus Cristo Superstar
 Lanada como pera rock, teve fama de musical na Broadway. De Andrew Lloyd Weber e Tim Rice
 
Joes Garage
 Em trs atos, Frank Zappa narra a saga de um roqueiro teen que  preso por viver em uma sociedade que criminaliza a msica


5. EM CARTAZ  LIVROS - PAVOR NOS BASTIDORES
por Ivan Claudio e Aina Pinto

Autora de romances policiais em que o psiquismo dos personagens pesa mais que a soluo dos crimes, Patricia Highsmith forneceu material para os filmes Pacto Sinistro (Alfred Hitchcock) e O Amigo Americano (Wim Wenders). Em O Tremor da Suspeita (Benvir),  o prprio cinema que vira assunto: na Tunsia, um roteirista enfrenta a solido diante do sumio do diretor do filme e do abandono por sua namorada. Ele passa, ento, a investigar uma tentativa de homicdio. Ele era o alvo


6. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - FUTEBOL DE NORTE A SUL
por Ivan Claudio e Aina Pinto

No  preciso mais que duas pedras demarcando o gol e um pedao de terra onde corre a bola para se praticar o mais popular esporte do Pas. Durante oito meses o fotgrafo paulista Caio Vilela percorreu todos os estados brasileiros documentando crianas jogando pelada e mostra o resultado no livro Futebol-Arte do Oiapoque ao Chu (Gro Editora). Gegrafo de formao, ele no s retrata o bal dos corpos no drible mais arrojado. Emoldura o entorno, mapeando como a paisagem (inclusive a urbana) vai mudando de norte a sul e impondo hbitos particulares, a exemplo da pelada aqutica no Amap e no Maranho. Eco de seu trabalho anterior, quando fez o mesmo em diferentes pases do mundo, Vilela mostra crianas muulmanas jogando futebol diante de uma mesquita em Foz do Iguau.


7. EM CARTAZ  MSICA - A JUKEBOX DE ERIC CLAPTON
por Ivan Claudio e Aina Pinto

Aos 68 anos, o guitarrista Eric Clapton se permite liberdades que s a fama e o completo domnio de sua arte o impedem de naufragar na pura demonstrao de narcisismo. Sob o prosaico ttulo de Old Sock (meia velha), ele reuniu em seu 21 lbum amigos do porte de Paul McCartney, Steve Winwood, J.J. Cale e Taj Mahal para gravar somente msicas das quais gosta e traz na memria desde a adolescncia. Assim, a seleo de 12 canes cobre diferentes estilos musicais, como standards dos anos 1930 (Our Love is Here to Stay, dos irmos Gershwin), country (Born to Lose, de Ted Daffan) e reggae (Till Your Well Run Dry, de Peter Tosh).


8. EM CARTAZ  CINEMA - O VILO  O MEDICAMENTO
por Ivan Claudio e Aina Pinto

A indstria de remdios  a vil de Terapia de Risco (em cartaz na sexta-feira 3), novo trabalho de Steven Soderbergh. O filme coloca em xeque a relao entre uma paciente (Rooney Mara) e seu psiquiatra (Jude Law). Prestes a reecontrar o marido que estava preso (Channing Tatum), ela passa por uma crise de ansiedade, sendo medicada com uma nova droga. Mas um assassinato acontece e, nas investigaes, comeam os questionamentos sobre as reaes causadas pelo medicamento e sobre o tratamento pouco ortodoxo do mdico.


9. EM CARTAZ  AGENDA - VANESSA DA MATA/IN-EDIT/ABRAHAM PALATNIK
por Ivan Claudio e Aina Pinto

Conhea os destaques da semana
(Recife, Braslia, Porto Alegre e So Paulo, at 26/5)
A cantora interpreta 24 msicas de Tom Jobim dentro do projeto Nivea Viva. Ao piano, Eumir Deodato, tambm autor dos arranjos
 
(So Paulo, at 12/5)
O festival internacional de documentrios musicais exibe filmes sobre Neil Young, Antony and The Johnsons e Os Mulheres Negras, entre outros
 
(CCBB, Braslia, at 18/7) 
90 obras do artista, cujo trabalho filia-se  arte cintica, que usa luz e movimento. Sero exibidas produes inditas e projetos ainda no executados


10. ARTES VISUAIS - BRASIL NA BAHIA
Salvador ganha novo espao dedicado  arte contempornea e amplia a presena soteropolitana no mapa das artes nacional
Nina Gazire

Aproximaes Contemporneas/ Roberto Alban Galeria de Arte, Salvador/ at 1/6
 
Do terrao do mais novo espao de arte contempornea de Salvador, no bairro de Ondina, avista-se o mar.  frente do projeto esto os galeristas Roberto e Cristina Alban, veteranos do mercado da arte soteropolitana. Por mais de 20 anos, o casal comandou a galeria que antes ficava no bairro da Graa e era voltada para o mercado de arte secundrio e focado em arte moderna. A mudana de paradigma veio de uma inquietao sobre o lugar de Salvador dentro do panorama de crescimento e internacionalizao da arte brasileira.  preciso levar a produo contempornea de Salvador para o Brasil, mas tambm  urgente que essa produo venha  Bahia, diz Cristina Alban, que inaugura o espao com a exposio Aproximaes Contemporneas, com nove artistas da Bahia, do Rio, de So Paulo, do Cear e de Santa Catarina.

NOVIDADE - Pintura "Aposta" de Maria Lynch (acima) e espao interno da galeria Roberto Alban (abaixo)

Dispostas em generosos trs andares, cerca de 30 obras mostram a produo de artistas que vivem momentos distintos de suas carreiras. A ideia de heterogeneidade da arte brasileira  traduzida pelo encontro de obras irreverentes, como os autorretratos fotogrficos de Alexandre Mury, com a abstrao pictrica e rtmica da catarinense radicada no Rio Gabriela Machado. Ambos apresentam duas vivncias e vises do Rio de Janeiro. Em Cristo Redentor, Mury, que vive em So Fidlis, no Estado fluminense, brinca ao se travestir como um dos cones do Pas. Mas o que o artista argumenta buscar ali  enfocar o corpo teatralizado na histria da arte.  como se eu fosse um ator estudando um papel, diz o artista, que tambm se fotografou como o Fauno, pintado pelo flamengo Rubens, e como o Dr. Gachet de Vincent Van Gogh.

PERFORMANCE - Artista Alexandre Mury interpreta Cristo Redentor em fotografia
 
Nas pinturas de Gabriela Machado, o corpo tambm  fulcral, j que as formas e cores so resultado da msica e do ambiente ao seu redor. Chocalho I e Chocalho II foram pintadas ao ritmo do samba e tendo como inspirao a imagem de plantas. So meu corpo e meus sentidos colocados ali, diz Gabriela. A cor  tambm central nas obras de Elizabeth Jobim e Maria Lynch. A primeira trabalha as cores em blocos geomtricos macios, na tradio da arte concretista brasileira, e Maria Lynch trabalha questes feministas em pinturas em acrlico com abordagens prximas a um figurativismo ldico e pop. Queremos mostrar o momento especial que a arte brasileira vive. Nossa proposta quer ir muito alm do mercado de arte, queremos inserir Salvador dentro do contexto da arte contempornea brasileira, comenta Cristina, cuja galeria abrigar uma individual do artista carioca Raul Mouro, no segundo semestre de 2013.


11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - VOC EST NA LISTA?
Sala Vip - Ivana Vollaro/ Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro/ at 23/5
por Paula Alzugaray

Dos tapetes vermelhos das premiaes cinematogrficas aos crachs que do acesso preferencial aos grandes concertos musicais, a cultura est sitiada por reas vips. Recentemente, o tumulto causado pela entrada exclusiva em um disputado lanamento de livro, em badalada feira de arte contempornea, foi o estopim para Ivana Vollaro criar o projeto Sala Vip, que ganhou inicialmente a forma de instalao no Anexo da Galeria Laura Marsiaj, no Rio.
 
A instalao consiste na elaborao de sucessivos espaos exclusivos, com diferentes graus de privilgio. Para ter acesso ao trabalho, o visitante antes tem de conferir se seu nome est na lista e a que cor de pulseira vip tem direito: azul, laranja, prata ou dourada. No Rio, as pessoas querem ter pulseirinha dourada e gostam de sair nas colunas, disse Ivana para Gente Boa, do jornal O Globo, de 14 de abril, dividindo a cena com Walter Salles, habitu dessas notas.

STATUS - Objetos de "Sala Vip" apontam para absurdos de sociedade exclusivista
 
Ao chegar ao espao, o visitante ter uma experincia j conhecida, mas no exatamente frequente: sentir-se particular, nico, especial. Mas a questo que se coloca aqui : privilegiado em relao a que e a quem? Os poucos elementos que constituem o espao instalativo  duas fotografias, um carimbo com o texto to vip or not to vip e correntes criando vrios estgios vips  exprimem o vazio decorrente desse tipo de segregao. O que est em jogo aqui, segundo a artista argentina, so os espaos autodenominados exclusivos dentro de uma sociedade estratificada que criam cdigos determinados e comportamentos subentendidos.
 
Com esse trabalho, Ivana Vollaro no apenas ironiza um comportamento social exclusivista que  raramente questionado como se refere tambm aos mecanismos de legitimao artstica, sejam eles concedidos pelas instituies, pelo mercado, pela mdia, pela crtica ou pelo pblico, mostrando como so sempre apoiados em cdigos abstratos e at absurdos. Na abertura da exposio, em 15 de abril, os convidados tinham direito a saquinhos de pipoca vip.
